Publico aqui e-mail enviado por Armando Carvalho, de Tanguá – RJ, para o site da revista Ultimato.
Ele conseguiu expressar tudo o que sinto e mais um pouco sobre o louvor em nossas igrejas, inclusive alguns aspectos da nossa própria igrejinha, em Vila Gerti.
Portanto, leeeeeia !!!

Louvor de superfície
Tenho percebido que algumas coisas foram alteradas por nossa geração em relação ao louvor, adoração, chame do que você quiser. Eu não agüento mais ver frases repetidas em meio a músicas chamadas “gospel”. São mantras, cansativos, repetitivos e enfadonhos. Não suporto mais participar de cultos onde frases calejadas apenas mudam de boca e de lugar: “olha para seu irmão do lado”, “levanta sua mão”, “vamos entrar no santo dos santos” (como se o Santo dos santos já não estivesse em nós) ouço absurdos do tipo “entre nos átrios do Senhor”, “ir além do véu” (irmãos o véu se rasgou! Que véu é esse? Meu Deus), “atrair a presença de Deus” (é como seu filho estar do seu lado segurando em sua perna e você continuar gritando por ele. Aí dói!).

E o “ministro” de louvor olha para uma igreja enorme e diz: “amo cada um de vocês”. E os tais “levitas” então, que horror. Na falta de referências no Novo Testamento para embasarem a existência dos cargos eclesiásticos, são empurrados para o Antigo Testamento querendo justificar suas posições, afinal, temos que ter um título se não ficamos num canto escondido da igreja, e um título nos faz mais importantes na comunidade. É um absurdo isso! Temos que aprender que “levita” incluía no seu ofício 99% de trabalho árduo na conservação do templo e sua administração, os tais “levitas” de hoje são aberrações capitalistas, porque ganham pra cantar, vendem CDs para viver, não pegam nem em uma vassoura para varrer e ainda querem status de pop star com exigências de camarins, seguranças, carros etc… Queridos, temos que entender que não somos judeus e que a velha aliança já é passado, como diz Hebreus 7. O capitulo todo trata da extinção do sacerdócio levítico, chegando a dizer no verso 18; “Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa da sua fraqueza e inutilidade”.

É só ler o livro todo e veremos que a graça se estabeleceu trazendo liberdade e presença de Deus em nós, por isso queridos, o sacerdócio levítico já passou. Deus está em nós, encravado em nossas carcaças, morando em todas as partes do nosso ser, vivendo entre as paredes da nossa existência. Criamos uma série de cargos e encargos para podermos ocupar as pessoas e elas se sentirem úteis: é ministro de louvor, é levita, é dirigente de não sei o que e por aí vai! Corremos o risco de começar a chamar de profundo o que está na superfície, por causa de nossa forma de achar que tudo que tem nome diferente é eficiente: é louvor extravagante, louvor agressivo, e outras coisas mais. No fim, entendo que tudo isso é uma forma de vendermos Cds e livros para alimentarmos essa boca grande e aberta desse “mercado gospel” que necessita de sobreviver da simplicidade de pessoas, que, carentes de uma palavra de incentivo e esperança são mordidas e acharcadas, dando o que não tem para manter a “máquina gospel”.

E o pior que agora todo mundo larga a vida profissional para gravar cd, afinal se fizer sucesso a gente ganha uma grana e se torna conhecido, né?! Nada diferente dos cantores seculares, pelo menos eles fazem o que fazem e são sinceros em declarar que vivem disso, nada de errado, apenas sinceridade. Onde está o louvor pelo louvor, a música de adoração por adoração, como expressão verdadeira, sem precisar de congresso disso ou daquilo para aperfeiçoar não sei o que?!?

Vamos voltar para o evangelho queridos, e resgatarmos uma igreja que evangeliza, e adora com uma vida de dedicação a família e ao próximo. Tenho participado nos últimos 18 anos da chamada prateleira de cima da pregação e do louvor e o que vejo é superficial e mesquinho, chega a ser ganancioso. São cantores cobrando até trinta mil reais para estarem em eventos chamados “gospel”. Isso é de atrair palavrões a nossa mente, colocam a igreja para comprar Cds e custear a apresentação de determinado artista, extorquindo silenciosamente as almas sinceras dos queridos irmãos, que coisa feia.

Não posso deixar de lembrar que isso é culpa de uma liderança que inventou a igreja-entretenimento, onde retroalimentamos a indústria do evento na igreja. O líder tem que sempre preparar um evento mais fantástico do que o outro e o outro mais mirabolante do que o outro, se não, ninguém vai a igreja no próximo evento e assim temos, não uma igreja, mas um centro de entretenimento; não um mentor, mas um promoter. Temos um louvor de atração, contanto que a atração seja o “famosinho gospel” que vai estar lá. Agora não fazemos mais discípulos, fazemos fãs, já não temos homens servos, temos “o grande homem de Deus” não existe mais povo de Deus, agora é “mercado gospel”, aonde vamos parar! Há uma podridão por trás disso que estamos deixando passar, estamos alimentando pregadores e cantores cheios de si mesmos, que precisam de grandes cachês com exigências até de seguranças para as “gospelzetes” ficarem tirando fotos e ninguém agarrar o cidadão, isso é superficial demais! Isso é louvor de superfície!

Por: Armando Carvalho
Tanguá – RJ
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