por

William Hendriksen

Versículos 1–4 Para aqueles que em Jesus encontraram seu refúgio
Já não há nenhuma condenação. Suas bênçãos são abundantes.
Pois através do que Cristo Jesus tem feito em meu íntimo
Do pecado e da morte o Espírito me livrou.

Pois aquilo que a lei, por nossa natureza corrompida,
Jamais pôde efetuar, e muito menos pôde outorgar,
Deus fez, quando, a fim de nos salvar do pecado,
Enviou seu próprio Filho para nossa salvação conquistar.

Deus fez isso a fim de que a justa demanda da Lei
Em nós fosse satisfeita, e pudéssemos ser justos,
E mostrar, por nossa conduta cotidiana,
Que, abstendo-nos da carne, devemos obedecer a seu Espírito.

Versículos 5–8

Pois aqueles que escolheram a carne como seu guia,
Nas coisas da carne, não do Espírito, se vangloriam.
Mas aqueles que escolheram o Espírito como seu Guia,
Nas coisas do Espírito, não da carne, se gloriam.

Ora, os que se vangloriam na carne por certo sabem
Que a carne e seu fruto, a morte, seguem sempre juntos.
E assim, também, os que honram o Espírito verão
Que a vida e sua profunda paz seu quinhão hão de ser.

Seu apego à carne equivale a odiar o Senhor,
Já que guardar seus estatutos ela não pode tentar.
E devia ser óbvio aos que estão na carne
Que agradar a ambos, Deus e o pecado, não se engrena.


Versículos 9–11

Porém, meus queridos irmãos, vocês não estão na carne.
Isso prova ser verdadeiro o Espírito que está em vocês.
Se alguém não tem o Espírito, certamente seria errôneo
Dizer que tal pessoa poderia a Jesus pertencer.

Mas se Cristo está em vocês, então ainda que, em razão do pecado,
O corpo pode morrer, todavia o Espírito no íntimo
É vida e produz vida, de tal modo que, diante de Deus, vocês
Permanecem sem pecado e puros mediante o livramento que Cristo trouxe.

E se vocês são habitados pelo Espírito de Deus
Que ressuscitou a Cristo dentre os mortos, então o Pai que trouxe
À vida a Jesus dentre os mortos também restaurará
Seus corpos da morte. Uma vez mais viverão.


Versículos 12–16

Portanto, meus queridos irmãos, nosso dever é claro:
Viver pelo padrão da carne enquanto aqui estão
É deixar-se guiar para a morte. Seu é o dever de dar
O golpe mortal nas vergonhosas formas do pecado. Então viverão.

É tão-somente pelo poder do Espírito
Que isso é possível e deve ser feito.
Pois todos os genuínos filhos de Deus, com ele como seu Cabeça,
Estão sendo guiados pelo bendito Espírito de Deus.

Deveras vocês são filhos de Deus, pois não receberam
O espírito de escravidão quando creram.
O repugnante medo não mais os oprime,
Pois com alegria a seu Deus, como seu Pai, recorrem.

O Espírito testifica, e não de longe,
Mas bem de perto, que somos filhos,
Confirmando a voz de nosso próprio coração e mente,
E lançando a incerteza para bem longe de nós.


Versículos 17,18

E se somos filhos, então somos também herdeiros
De Deus e com Cristo, pois a pessoa que participa
Com Cristo de seus sofrimentos certamente deve saber
Que nele de fato Deus concederá glória.

Porque isto eu considero; disto estou bem certo!
Que os sofrimentos e obstáculos que ora suportamos
Não se comparam com a glória que então
Brilhará de dentro de nós, sem jamais nos deixar outra vez.

Versículos 19–22

E isto é estabelecido: que toda a Natureza
Aspira pela revelação dos santos,
Pois não é por sua escolha que a Natureza foi empobrecida.
Foi o homem que transgrediu e o Senhor o puniu.

Ao tornar-se a Natureza incapaz de suportar
Os muitos inimigos, contudo essa mesma Natureza,
Não sem esperança, embora agora sujeita ao desespero,
Um dia partilhará da liberdade dos filhos de Deus.

Agora, sabe-se bem, toda a criação , toda a Natureza,
Em angústia das dores de parto sofre e geme.
Versículos 23–25

Não só é isso verdadeiro, mas devemos confessar:
Também suspiramos pela possessão do Espírito.
Sim, também suspiramos, ainda quando somos livres,
Enriquecidos pelo Espírito, como firme garantia

De que também nossos corpos o Senhor exibirá
Como amados por ele mesmo naquele glorioso dia.
Em esperança fomos salvos, pois seu objeto, ainda que próximo,
Está oculto dos olhos e ainda não se manifestou.

Mas quando não mais dele formos privados,
Deixará de ser objeto de esperança; terá chegado!
Visto, porém, que presentemente esperamos por algo mais,
Pela plenitude de bem-aventurança que para nós está reservada,

Anelamos por essas bênçãos, tão ricas e imensuráveis,
E por isso com paciente perseverança aguardamos.

Versículos 26, 27

O Espírito, igualmente, sabe que nós, pecadores, somos fracos
E amiúde incapazes de encontrar o que buscamos,
Às vezes nem mesmo sabendo como orar,
Não acudindo as palavras, sem saber o que dizer.

Então o Espírito nos socorre, pois conhece nossa necessidade.
Com gemidos inexprimíveis ele intercede.
Aquele que sonda os corações sabe os intentos do Espírito;
Ele sempre concordará e os rogos do Espírito atenderá.


Versículos 28–30

Portanto, concluímos que para os que amam a Deus
Todas as coisas, não no sentido restrito, porém abrangente,
Cooperam plenamente, em harmonia com o plano divino
Estabelecido e ordenado antes que o tempo existisse.

Em harmonia com esse programa ou propósito tão antigo
Os amados de Deus foram eficazmente chamados.
Pois aos que de antemão conheceu ele também elegeu
Para a imagem de Jesus, seu Filho, refletirem.

Foi assim que Deus preordenou
Que Cristo se tornasse e para sempre permanecesse
Intimamente unido a seu povo, o primogênito entre todos,
Todavia humilde e espontaneamente de irmãos os chamou.

Portanto resultando na inquebrável corrente da salvação:
Aos que Deus de antemão conheceu, também predestinou;
E aos que predestinou, mais tarde chamou;
E subseqüentemente justifica e a todos glorifica.


Versículos 31–34

Como, pois, responderemos? Como replicaremos?
Se Aquele que é por nós é o Deus Altíssimo?
Quem, agora, de todas as criaturas, pode ser contra nós,
Quando Aquele que é por nós é certamente Ele?

Seu amor é tão incomparável, tão terno seu cuidado
Que nem mesmo a seu próprio Filho ele jamais poupou.
Por nós, míseros pecadores, ele o deu para morrer.
Como não suprirá com ele nossas próprias necessidades?

Quem ousa suscitar acusações contra os eleitos de Deus?
Aos quais Deus declara puros e sempre protegerá?
De fato que imprudente ousará condenar
Os filhos de Deus depois que ele os justifica?

É Jesus quem morreu, e mais que isso, quem ressuscitou
Dentre os mortos para assentar à destra de Deus. Louvado seja o céu!
Cristo Jesus esse lugar de confiança então ocupa.
É ele quem agora está intercedendo por nós.


Versículos 35, 36

Quem, pois, poderá separar-nos
De Cristo e seu amor, que foi nosso desde o início?
Angústia, perseguição, tribulação proveniente da Palavra?
Ou fome ou nudez, perigo ou espada?

É como o salmista outrora declarou:
Cada dia encaramos a morte e somos humilhados.
Somos como ovelhas que são levadas para a matança,
Porque fazemos tua vontade e a ti honramos.


Versículos 37-39

E todavia é um fato que por essas mesmas coisas
Que pareceria prejudicar-nos Deus nos traz vitória,
Nós, a quem ele ama, para fazer-nos vencedores,
Não, muito mais que isso somos.

Por isso eu bem sei, e com isso eu conto,
Que absolutamente nada para sempre será achado
Que faça o Salvador esquecer os seus,
Que faça divisão entre ele e seus queridos.

Nem morte e nem vida e nem anjos acima
Jamais podem excluir-nos do eterno amor de Deus.
Nem presente nem futuro jamais prevalecerá
Ao ponto de fazer o grande amor por seus queridos fracassar.

Nem demônios nem poderes, nem profundidade e nem altura
Podem enfraquecer seu fulgor ou diminuir seu poder.
Nenhuma criatura pode separar-nos, seja qual for sua espécie,
Do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

 


Fonte: Comentários de Romanos. William Hendriksen. Editora Cultura Cristã.
Este artigo é parte integrante do portal http://www.monergismo.com
Felipe Sabino de Araújo Neto

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