cruz.jpg  Texto básico: Romano 3.21-26

     Esta passagem é central para o entendimento do Evangelho e da Bíblia como um todo. No que é considerada a 1ª parte do evangelho, Paulo demonstra como todos são igualmente culpados e merecedores de condenação. Muitos poderiam se perguntar “por que os pecados cometidos durante 70 anos em média são capazes de nos condenar eternamente?” O que precisamos entender é que pecamos contra um Deus infinitamente santo, infinitamente justo, portanto, nosso pecado passa a ser infinito. Nosso pecado cria um abismo infinito entre nós e Deus e nem todo ato de justiça bastaria para preencher este abismo, pois somos seres finitos. Então, não há esperança para a humanidade? Antes, vamos dar uma breve revisada na situação humana:

A realidade humana

1. Culpado – Todos estão debaixo da ira de Deus, são igualmente culpados

Grupo Alegação Realidade
Gentios – Sem bíblia Ignorância da existência de Deus A criação testemunha a existência de Deus
Ignorância da lei de Deus Cada ser humano tem uma lei moral no coração
Judeus / Cristãos – Com bíblia Guardiões da lei Quebraram a lei que guardavam
Praticavam a circuncisão / batismo / profissão de fé Não era acompanhada por uma vida pura

2. Incapaz – O homem não consegue se auto-justificar perante Deus por seus próprios méritos ou obras da lei. (Rm 3.20)

3. Rebelde – O ser humano está em desespero espiritual e não apenas sem condições próprias de sair dessa situação, como também sem esse desejo. (Rm 3.10,11)

            Diante deste quadro, todo ser humano está condenado e a justiça de Deus precisa ser manifesta, pois Ele mesmo é a própria justiça, como podemos verificar no catecismo. Porém Deus, em sua infinita misericórdia e graça, já havia elaborado um plano para nos livrar dos nossos próprios pecados e nos justificar diante de seu juízo. O que nós não conseguimos fazer sozinhos, Ele nos concedeu de graça.

E por que de graça?

Homem                                                   Deus

1º Não merecemos, somos culpados.   Resolveu nos salvar mesmo assim.

2º Incapaz de se auto-justificar.        Enviou Jesus para nos justificar

3º Rebeldes sem iniciativa                  Nos procurou, nos buscou.

A obra de Cristo: o fundamento da justificação

Nós fomos justificados. A justificação é um termos dos tribunais de justiça, um termo legal que se refere ao ato ou efeito de declarar justa uma pessoa. Isso não significa que um pecador passa a ser justo, é apenas uma declaração. Mas como um Deus santo pode declarar os pecadores culpados e absolve-los dos pecados? Não é contraditório? Seria se a base da justifcação fossem nossas próprias obras. Porém Deus nos declara justificados com base na obra de Cristo, que pode ser descrita assim:

    Redenção – (Rm 2.24) Remissão, resgate. A redenção é tudo que o pecador necessita, nada menos do que isso. Antigamente era um termo utilizado para libertar escravos. Também foi usado com referência ao povo de Israel, no cativeiro do Egito. Assim nós também fomos resgatados, pois éramos escravos do pecado. Logo o preço pelo nosso resgate não foi pago com nossos próprios esforços, mas com o sangue de Cristo na cruz.
    Propiciação – (Rm 2.25) A palavra propiciação significa “aplacar a ira”. O Tabernáculo do Antigo Testamento era a tampa da arca da aliança. (Ex. 37. 6-9) Uma vez por ano, o sangue da expiação era aspergido sobre o propiciatório significando que o pecado do povo tinha sido expiado e a ira de Deus aplacada. No contexto atual, Paulo nos diz que o sacrifico de Cristo serviu como expiação pelos nossos pecados para aplacar a ira divina.
    Manifestação – Deus não anulou sua justiça ao perdoar pecadores. Pelo contrário, ele a manifestou de modo claro no sacrifício de seu filho Jesus por nós. Por isso agora Ele pode nos declarar justificados e nos receber como filhos, estendendo sua graça e misericórdia, pois sua justiça foi manifesta no Filho.

Fé: o meio da justificação

            A obra de Cristo foi completa e a maneira de recebermos a salvação e seus benefícios é através da fé. Paulo cita a fé 8 vezes em Romanos 3. 21-31. A fé é o instrumento pelo qual desfrutamos dos benefícios de Cristo e não uma obra particular que nos faça merecer a salvação.

A Bíblia nos revela que a justificação se aplica exclusivamente a todo aquele que nEle crê. Há dois fatores para a salvação, a base e o instrumento. A obra de Cristo é a base e a fé o instrumento. Mas afinal o que é a fé? O autor de Hebreus nos diz que fé é a esperança nas coisas que não se vêem. Há um consenso entre os estudiosos em dividir a fé em três partes:

A – Conhecimento – Fé não é crença cega. Temos de saber em quem temos crido (2 Tm 1.12b). Vida eterna é conhecer a Jesus e o único Deus verdadeiro. Só podemos crer em quem conhecemos de coração e mente.

B- Aceitação – Temos de estar persuadidos de nossas ofensas pessoais a Deus e de que Cristo morreu por nós. Não basta conhecimento intelectual, não devemos somente confessar mas crer de todo nosso coração (Rm 10.9)

C – Compromisso – Crês em Deus? Os demônios também crêem e tremem (Tg. 2.19). Mas devemos nos comprometer com Cristo, obedecendo-o. Essa é a fé que é instrumento de Deus para sermos justificados.

Conclusão – O resumo é este: todos somos pecadores e portanto culpados e separados de Deus. A única solução proposta por Deus é a justificação pela fé em Cristo. Sua obra consumada na cruz satisfez a justiça de Deus e desviou sua ira de nós. E só podemos chegar a Deus por meio da fé, pela qual somos declarados por Deus como justificados.

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