Epístola de Paulo aos Romanos

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O tema da revista que utilizaremos como suporte para este primeiro semestre é “Sangue na Porta” (numa referência ao sinal de segurança para o povo da Aliança tal como descrito em Êxodo 12, quando da saída do povo judeu do Egito). São 13 estudos sobre os 8 primeiros capítulos de Romanos.

Com efeito, o livro de Romanos descreve com muita propriedade a segurança que podemos ter em Jesus Cristo, o qual nos justificou perante o Pai e assim assegurou nossa vida eterna.
Romanos é cuidadosamente estruturada (nas palavras de Calvino, “disposta metodicamente”) e freqüentemente considerada como “a mais rica e abrangente declaração de Paulo sobre o Evangelho”. Grandes temas bíblicos são tratados de maneira didática e sistematizada: Pecado; Lei, Julgamento, Fé, Justificação; Obras; Graça; Santificação; Eleição; Obra de Cristo e do Espírito Santo

Há ainda comentários acerca do papel do judeu e dos gentios no plano soberano de Deus, da nossa obrigação perante autoridades humanas, dos princípios de retidão moral, além de uma explicação do significado do Antigo Testamento e sua relação com o Evangelho.

Grandes personagens da História Cristã assim descreveram Romanos:

· Agostinho (ano 386): “Não li mais nada, e não precisei de coisa alguma. Instantaneamente, ao terminar a sentença, uma clara luz inundou o meu coração e todas as trevas da dúvida se desvaneceram” referindo-se a leitura de Rm 13.13-14, ponto de partida de sua conversão.
· Calvino (ano 1539): “Se conseguirmos atingir uma genuína compreensão desta Epístola, teremos aberto uma amplíssima porta de acesso aos mais profundos tesouros das Escrituras”. Uma de suas obras clássicas, Institutas da religião cristã, foi escrita a partir de comentários sobre essa Carta.
· Lutero (ano 1515): “Esta Carta é sem dúvida a peça mais importante do Novo Testamento. É o evangelho mais puro. É de grande valor para um cristão, não somente para ser memorizada palavra por palavra, mas para dela se ocupar diariamente, como se fosse o pão diário da alma. É impossível ler essa Carta sem nela meditar. Quanto mais se lida com ela, mais preciosa se torna e melhor é saboreada”

De fato, foi a partir da leitura e estudo desse Livro – e do entendimento de que “o justo viverá pela fé” – que Lutero deflagrou a Reforma Protestante. Lutero entendia ainda que o estudo de Romanos fazia resplandecer uma luz que iluminava toda a Escritura.

Desejo e creio que a leitura e o estudo desse Livro certamente produzirá em cada um de nós maior convicção de que pertencemos ao povo da Aliança, bem como da nossa segurança em Cristo. Assim como estes grandes personagens foram tocados e influenciados por esta porção das Escrituras, creio que por semelhante modo também seremos impactados. Que o Senhor nos conceda a sua Graça.

1. Autor: Apóstolo Paulo. 
Até os dias de hoje nenhuma objeção séria foi colocada quanto à autoria paulina.
2. Data e ocasião:
Costuma-se datar esta Carta por volta do ano 57.

Paulo, que pregava entre os gentios já há algum tempo, tinha grande apreço pela comunidade cristã de Roma, e desejava visitá-la, em viagem à Espanha, onde pretendia concluir sua obra missionária (Rm 15. 22-24).

Àquela época, Roma era o grande centro mundial, capital do Império Romano.
No dia do Pentecostes (Atos 2.10), temos notícia de que em Jerusalém havia judeus vindo de Roma, daí podemos concluir que estes voltaram para lá convertidos ao Cristianismo, fundando ou fortalecendo a comunidade então existente.

Com centro do mundo então conhecido, tudo o que acontecia em Roma tinha relevância e repercussão, a ponto de Paulo afirmar que “em todo o mundo, é proclamada a vossa fé” (1.8).
Os romanos seriam, portanto, os cristãos (judeus e gentios) “chamados para serdes santos” (1.7) que viviam em Roma.

Roma era culturalmente muito sofisticada. Os romanos, todos sabemos, eram poderosos na guerra, entendidos na política, e dedicados às questões do saber (Roma legou às nações ocidentais o sistema jurídico tal como conhecemos; até hoje nas faculdades de Direito há a disciplina “História do Direito Romano”, fundamental para os iniciantes).
Por essa razão acredito que Paulo sentiu-se à vontade para discorrer sobre temas tão profundos e com uma linguagem elaborada; ele próprio era um cidadão romano, e extremamente versado.

Paulo era fariseu (judeu radicalmente zeloso na observância da Lei de Moisés), nascido em Tarso, “cidade não insignificante da Cilícia”, um notável centro cultural, mas foi criado em Jerusalém, onde foi instruído pelo rabino Gamaliel, o qual é citado pela tradição como um dos mais proeminentes mestres judeus – Atos 22.
Paulo também era profundo conhecedor tanto da língua grega (Atos 21. 37) quanto da filosofia grega tão em evidência naqueles dias (no discurso no Areópago, em Atos 17. 16-31, ele cita alguns poetas gregos).

Em Atos 22.27-29 temos a menção ao título de cidadão romano adquirido “por direito de nascimento”.
Em resumo, Paulo tinha uma boa origem, posição social relevante e uma sólida formação cultural.

Uma vez que Paulo discorreu sobre temas complexos – autorizado que estava por suas credenciais – Romanos deve ser estudada com zelo e devoção.
O perigo da má interpretação desses textos já era reconhecido pelo Apóstolo Pedro, que ao final de sua segunda carta nos deixa a seguinte advertência:

14 Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis,
15 e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada,
16 ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles.
17 Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza;
18 antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno.

Muito me alegra o interesse demonstrado por vocês na leitura da Bíblia. Só pra citar os eventos mais recentes: o debate sobre o livro do Apocalipse realizado entre os jovens e a SAF, e o estudo sobre a vida do Rei Davi, no acampamento de carnaval.
Assim, fica lançado este desafio: estudar e meditar sobre a Carta aos Romanos.
Permita Deus que haja ainda maior compreensão e experiência pra todos nós através deste estudo.
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Breve esboço dos capítulos 1 a 8:

I – Saudação (versos 1 a 7) e introdução pessoal (versos 8 a 15)

II – O assunto da epístola : A justiça pela fé em Jesus Cristo (versos 16 e 17) – Lição nº 01
Justiça? Fé? Jesus Cristo?

Para introduzir o tema principal, Paulo primeiramente descreve a pecaminosidade universal da humanidade. O estado ruinoso do homem (descrita com exatidão no primeiro dos cinco pontos do Calvinismo “Depravação Total”) é a razão para se falar em justiça, fé e Jesus Cristo.
Assim, Paulo relata a pecaminosidade dos gentios e dos judeus, concluindo “que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado” (Rm 3.9); essa é a terceira divisão:

III – Pecaminosidade humana:

A: dos gentios (1.18-32) – Lição nº 02
B: dos judeus (2.1 – 3.8) – Lição nº 03
C: de todos (3.9-20) – Lição nº 04
Feito este sombrio diagnóstico, Paulo mostra a solução (sim, há solução!)

IV – A justiça de Deus para a justificação (3.21 – 5.21)

A. Provida em Cristo pela fé (3.21-31) – Lição nº 05
B. Provada pelo exemplo de Abraão (cap. 4) – Lição nº 06
C. Bênçãos garantidas para os justos (5.1-11) – Lição nº 07
D. Enraizada na obediência de Cristo – o novo Adão (5.12-21) – Lição nº 08

V – A graça reina através da justiça de Deus (Cap. 6-8)

A. Quebrando o domínio do pecado e resistida sua influência (cap. 6) – Lição nº 09
B. Crentes mortos para a condenação da lei, embora ainda não feitos sem pecado (cap. 7) – Lição nº 10
C. Aqueles que vivem pelo Espírito provam ser vitoriosos sobre a carne (cap.8) – Lições nº 11, 12 e 13
Parte do material extraído de comentários da Bíblia de Genebra e do estudo sobre Romanos de Franklin Ferreira

Escola Bíblica Dominical – 25 de fevereiro de 2007
Presb. Daniel Gomes de Oliveira
“Romanos”

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